6# CULTURA 29.10.14

     6#1 LIVROS - A LTIMA COMBATENTE DO MODERNISMO
     6#2 EM CARTAZ  MSICA - A LENTA VOLTA DO CAMALEO
     6#3 EM CARTAZ  CINEMA - HERI DE OUTRA REVOLUO
     6#4 EM CARTAZ  CD - O VOO DE MORELEMBAUM
     6#5 EM CARTAZ  LIVROS - FERNANDA TORRES, EM PEDAOS
     6#6 EM CARTAZ  DVD - COMBATE DE CAVALHEIROS
     6#7 EM CARTAZ - CHAPLIN/SRVULO BRASIL

6#1 LIVROS - A LTIMA COMBATENTE DO MODERNISMO

Em pesquisa que traz textos inditos de Pagu, Augusto de Campos defende a musa da antropofagia como a mais combativa artista do movimento modernista brasileiro

Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Patrcia Redher Galvo traduzia Kafka e Ionesco quando quase ningum os conhecia no Brasil. Era cartunista, crtica, colaborou e fundou peridicos revolucionrios e escreveu uma das mais importantes obras proletrias do modernismo, Parque Industrial. Mas o olhar lnguido e a boca sempre retinta de Pagu colocaram-na no panteo diferente de seus pares e ela entrou para a histria como musa modernista, ou musa antropofgica, como defendeu Dcio Pignatari em uma das primeiras aes de resgate da obra da escritora, nos anos 1970. Dito, portanto, como um elogio.

METRALHADORA - As 23 prises no foram suficientes para cessar a crtica da escritora ao sistema capitalista, s mulheres e aos colegas do movimento modernista, que representou em sua fase mais radical

Pagu, alcunha dada por Raul Bopp, era mais jovem e, pelo que mostra o levantamento de Augusto de Campos, ampliado em edio que sai pela Companhia das Letras, a mais entusiasmada integrante do grupo de modernistas brasileiros de segunda gerao, a segunda dentio da antropofagia. Seu compromisso com o projeto de revoluo esttica e social a levou a colocar o dedo na cara de parceiros e mestres, como Mrio de Andrade, a quem acusou de abandonar o movimento de 22 em artigo polmico publicado em 1948 na revista Clima, assinado em conjunto com o intempestivo e irrefrevel Oswald de Andrade. Mas, alm da coragem de se opor aos movimentos que abraava  o modernismo e o socialismo , Pagu tinha o hbito de seguir seu corao. Com pouco mais de 20 anos, se envolveu com Oswald, que deixou a pintora Tarsila Amaral para ficar com a muito mais nova ex-normalista.

A exuberante beleza pessoal talvez tenha contribudo para vitimiz-la, antes que para promov-la, escreve Augusto de Campos na edio de Pagu Vida-Obra, agora acrescido de textos inditos da colunista de A Mulher do Povo, publicado pelo jornal fundado por ela e por Oswald de Andrade e fechado depois de oito nmeros pela polcia, diante da presso de estudantes de direito da Universidade de So Paulo. Ela era autora de artigos (sob diversos pseudnimos) e das ilustraes, charges, vinhetas, ttulos e legendas, como comprova a comparao com desenhos de lbum de Pagu, da Revista de Antropofagia e outras fontes, escreve o autor. Na coluna annima que Campos republica agora, Pagu no poupava nem mesmo a ala da sociedade que poderia ter lhe dado, em vida, algum abrigo. Em O Retiro Social, ela alveja, com ironia cortante, as novas feministas brasileiras, que imitavam sem muita verdade um modelo importado dos pases anglfonos. Agora que ns caminhamos para uma poca sem recalque e de moral biolgica racionalizada, onde no existiro nem desvios sexuais nem retiros fsicos, Freud e o Padre Manfredo podem pedir demisso. Pelo destemor, pela inteligncia e, mais que tudo, pela coerncia com que vivia os princpios de liberdade na sua vida profissional e particular, o autor considera Patrcia Galvo  que no conheceu em vida  a primeira mulher nova brasilera.

Nenhuma correu os riscos, nenhuma defendeu com tanto ardor a arte de vanguarda, nenhuma se pode comparar, em termos de atuao tica e esttica, com ela. De um modo ou de outro, todas acabaram cedendo, menos ela.

Pagu foi presa 23 vezes na vida. A primeira priso, pelo governo Vargas durante a greve dos estivadores de Santos, , de acordo com Geraldo Ferraz, seu segundo companheiro, o primeiro encarceramento poltico de uma mulher no Pas. Expatriada da Frana, onde foi detida como comunista, voltou para trs das grades por cinco anos, mais uma vez pela polcia varguista. Teve dois filhos, o cineasta Rud de Andrade, com o primeiro marido, e o jornalista Geraldo Galvo Ferraz, com o segundo. Mesmo sequelada pelas torturas sofridas na priso, a escritora continuou produzindo, tendo sido autora das crticas mais contundentes escritas na ocasio da Primeira Bienal de So Paulo, em 1951. Quando eu morrer, no quero que chorem a minha morte. Deixarei o meu corpo pra vocs, diz em uma das charges reproduzidas pelo livro de Augusto de Campos, que traz ainda um belo caderno de retratos cedidos pela irm da modernista, Sidria Rehder Galvo. Pagu deixou o corpo em 1962, aos 52 anos, depois da tentativa frustrada de curar um cncer e outra de se suicidar, na casa de sua famlia paterna em Santos, litoral de So Paulo.


6#2 EM CARTAZ  MSICA - A LENTA VOLTA DO CAMALEO
por Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br) e Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

Depois de dez anos sem gravar, David Bowie voltou no ano passado com o aclamado The Next Day. Enquanto prepara o novo disco, lana uma nova coletnea. Com 39 faixas divididas em dois CDs, Nothing Has Changed passa pelas inmeras fases de um dos artistas que mais souberam se reinventar dentro da msica pop. O primeiro disco centra no seu perodo mais influente, que vai do folk de Space Oddity at a new wave de Ashes to Ashes, passando pelo glam de Ziggy Stardust e os flertes com a soul music em Young Americans . J o segundo volume comea com a fase pop dos anos 1980 e atravessa a dcada de 90, quando recuperou seu prestgio ao incorporar elementos de gneros contemporneos de ento, como o drumnbass. A nica msica indita, Sue (or In A Season Of Crime), tem toques de jazz vanguardista. A semelhana com Cais, de Milton Nascimento, tem despertado insinuaes de plgio na imprensa internacional. O lanamento coincide com a publicao no Brasil do livro O Homem Que Vendeu o Mundo, em que Peter Doggett analisa faixa a faixa toda a produo de Bowie na dcada de 70.

+5 discos de David Bowie
The Rise And Fall Of Ziggy Stardust
 Obra conceitual que tornou o cantor popular em 1972, conta a histria de um aliengena que vem  Terra e se torna um dolo pop

Low
 Gravado em Berlim em 1977, representou uma mudana em direo  sonoridade futurista, com uso de sintetizadores

Scary Monsters (And Super Creeps)
 De 1980,  considerado por alguns como seu ltimo grande disco, e traz influncias da new wave e do rock nova-iorquino

Lets Dance
 lbum de 1983 que representou uma guinada do cantor de volta ao pop

The Next Day 
 Lanado em 2013,  cheio de autorreferncias, e lembra a produo de Bowie do final da dcada 70


6#3 EM CARTAZ  CINEMA - HERI DE OUTRA REVOLUO
por Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br) e Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

Ambientado entre Portugal e Angola, O Grande Kilapy, de Zez Gamboa,  uma coproduo entre o Brasil e os dois pases que vem sendo exibida no circuito de festivais. O filme conta a histria de Joo Fraga (Lzaro Ramos), angolano de famlia rica que vive em Lisboa durante os ltimos anos da ditadura militar. Apesar de viver como um playboy, Fraga acaba financiando a guerrilha pela libertao do seu pas. Mesmo lidando com um tema espinhoso, Gamboa segue o registro da comdia, atenuando a tenso poltica da trama com toques de humor que vm em grande parte do personagem principal.


6#4 EM CARTAZ  CD - O VOO DE MORELEMBAUM
por Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br) e Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

Jaquinho. Assim Caetano Veloso se refere ao parceiro, o violoncelista Jaques Morelenbaum. Ele acaba de fazer 60 anos  40 de lanamento do primeiro LP da Barca do Sol, grupo progressivo dos anos 70 do qual fazia parte. Coincidncia ou no,  em meio a efemrides que resolveu fazer seu primeiro vo solo. Entre aspas, porque Saudade do Futuro, Futuro da Saudade vem acompanhado do grupo CelloSambaTrio, tambm criado por ele h exatos dez anos. O samba e a melancolia desfilam gloriosamente, e as cordas de Morelenbaum, que j pontearam trabalhos de Tom, Gal, Caetano e David Byrne, fazem reverncias a esses e outros artistas. Destaques para Voc e Eu, Tim-tim por Tim-tim e Eu Vim da Bahia, de Joo Gilberto.


6#5 EM CARTAZ  LIVROS - FERNANDA TORRES, EM PEDAOS
por Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br) e Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

Uma das mais gratas surpresas literrias recentes foi o lanamento em 2013 do romance de Fernanda Torres, Fim, que ultrapassou os 150 mil exemplares vendidos. Agora, ela volta s estantes com Sete anos, com crnicas publicadas pela imprensa nesse perodo. O livro  na prtica uma sada comercial que a Companhia das Letras encontrou para manter a escritora no catlogo dos mais vendidos. No precisava. Se a entrada de Fernanda na cena literria foi apotetica, nesse segundo ato a atriz tropea; no cai e tampouco perde o charme ou erra o texto, mas pisca.


6#6 EM CARTAZ  DVD - COMBATE DE CAVALHEIROS
por Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br) e Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

A seleo de filmes clssicos sobre a Primeira Guerra Mundial que a Verstil lana neste ano em que o combate completou seu primeiro centenrio rene preciosidades como a edio de 1937 de A Grande Iluso, de Jean Renoir. Recuperada por um minucioso e competente trabalho de restaurao na Cinemateca de Toulouse, a pelcula conta a histria dos aviadores franceses que, capturados, so transferidos para uma fortaleza comandada por um aristocrata alemo e traz depoimento do diretor da poca da Segunda Guerra. Renoir, que foi censurado pela Alemanha nazista, compara as duas guerras mundiais, refletindo sobre a perda da relao cavalheiresca do combate que deu origem ao filme.


6#7 EM CARTAZ - CHAPLIN/SRVULO BRASIL
Confira os destaques da semana
por Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br) e Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

Chaplin na Mostra
 (Auditrio Ibirapuera, em So Paulo, 1 de novembro)
A Orquesta Experimental de Repertrio acompanha a exibio de O Circo e Corrida de Automveis Para Meninos, de Charles Chaplin

Srvulo Esmeraldo
 (Instituto de Arte Contempornea, em So Paulo, at 6 de dezembro)
Exposio que rene quatro dcadas de trabalho do artista cearense, com 150 itens como gravuras, desenhos e maquetes

Brasil Profundo  Paulo Freire
 (Biblioteca Mario de Andrade, em So Paulo, dia 30 de outubro)
O paulista, um dos nomes mais conhecidos da viola caipira, participa de bate-papo antes de apresentao ao vivo RTAZ  AGENDA  


